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#03 - Lixo não! Resíduo...


Lixo não! Resíduo...
O que a separação correta dos resíduos tem a ver com a segurança do trabalhador.
Certificação ISO, leis municipais, estaduais e federais, exigência dos clientes, responsabilidade social e ecológica e a própria redução de custos. Esses são os principais fatores que levam as empresas a implantarem a coleta seletiva. E pode até não parecer, mas o gerenciamento dos resíduos pode afetar positiva ou negativamente a segurança dos funcionários.
O que vai dar todas as diretrizes sobre resíduos nas concessionárias e o Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS, documento elaborado por profissional da área ambiental que sugere modelos de acondicionamento temporários e permanentes, treinamentos necessários e alterações nos procedimentos operacionais.
“Sim, Behrens, e a segurança do trabalho nisso?” Para explicar isso da melhor forma possível vou separar os principais tipos de resíduos gerados em manutenção de veículos que interessam para a segurança do trabalho. Segue:
Resíduos classe I – Perigosos: Consideram-se assim aqueles que estão contaminados de óleo, ou o próprio óleo usado. Em oficinas facilmente encontramos resíduos perigosos nas mecânicas e de funilaria e pintura. Se houver em outro local, tem alguma coisa errada. Eles são gerados basicamente pelas operações de manutenção veicular, como trocas de óleo, pintura, lavagem dos tanques de combustível e até a higienização simples. Fazendo a separação correta desse tipo de resíduo mantemos o ambiente mais limpo, isento de contaminação (sim, zero óleo numa oficina) e com diminuição dos riscos de acidentes, como chão escorregadio, e possíveis doenças do trabalho.
Resíduos classe II – Não perigosos: Aparentemente sem riscos, a separação e até o armazenamento inadequados podem trazer alguns riscos. Por exemplo, sucatas metálicas que são geradas pelos serviços de funilaria e pintura se forem acondicionadas a céu aberto podem acumular água de chuva, e eu creio que não seja mais novidade pra ninguém dos riscos que a água parada pode causar.

Outro risco são os resíduos orgânicos. Os que são gerados no refeitório das empresas geralmente não oferecem riscos, mas aqueles lanches rápidos que acabam deixando restos como casta de banana, de maçã, iogurte no fundo do frasco, quando são descartados em lixeiras que não são destinadas para isso, podem sofrer com a demora da coleta fazendo com que esse material descartado atraia moscas, baratas, ratos e outros vetores de doenças. Ou seja, se os resíduos orgânicos forem descartados em tonéis de resíduos perigosos, que tem sua coleta quinzenal, esse material ficará durante esse período sem o acondicionamento correto.
Por esses motivos que temos que aplicar bastante empenho em fiscalização e treinamento, principalmente para o pessoal de vendas e administrativo. O pessoal de serviços, já sabe que o material perigoso gerado pelo trabalho dele, já tem destino certo. Mas os outros, que não estão expostos a grandes riscos acabam não atentando para a importância da correta separação e, falando agora da questão ambiental, acaba atrapalhando até a reciclagem desses materiais, pois os papéis que seriam reciclados agora estão sujos de iogurte e recheio de bolo.
Pra finalizar, essa é a importância da consultoria em segurança do trabalho em empresas que possuem manutenção veicular, enxergar além de risco óbvio, prever tudo que poder dar errado com uma simples situação. Jogar uma maçã na lixeira errada pode atrair rato e de brinde uma doença pra alguém. Descartar um para-choque no pátio pode fazer alguém ficar com dengue. Isso é difícil de ser percebido e fácil de ser negligenciado. Vamos lembrar que, por lei, somos responsáveis por nosso resíduo desde sua geração até o destino final.
Pense seguro, aja seguro e seja seguro!

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